E o que eu deveria ter dito?
Que eu já não me importava mais?
Que o amor tinha ido embora e deixado uma casca vazia?
Não importa o quanto me beije, você é um estranho para mim
Não importa quantas flores você me traga você é um estranho para mim
Não importa se você pensa em mim antes de dormir, você é um estranho para mim
Nunca fui boa em construir relações. Construía pontes, muralhas, mas nunca casas ou parques. Até você chegar. Eu quis estar com você. Eu quis construir algo com você. E assim o fizemos. Uma casa torta, devida a minha inabilidade, simples, mas nossa. Era razoavelmente confortável, apesar dos terremotos que às vezes a sacudiam. E toda noite, antes de dormir, fechávamos as portas e as janelas, para que a água não entrasse. Mas um dia você esqueceu de trancar a porta, e a água inundou nossa pequena casa, destruindo os móveis, arrebentando as vigas e desmanchando as paredes. Eu buscava por ar, mas estava me afogando. Mas você nos tirou dali. Eu fiquei assustada e com medo, querendo construir muralhas ao redor de mim e me proteger daquelas águas revoltas que me machucavam tanto. Você pediu, implorou por um recomeço. E assim nós fizemos. Lentamente, dia após dia, erguíamos nossa casa novamente. Mas eu tinha medo. Quado a chuva se aproximava, eu me apressava em tentar fechas as aberturas, pois eu não queria que a água entrasse. Pedaços de roupa, chicletes, grampos e fios de cabelo. Costura daqui, prende ali, tampa acolá. Eu só não queria deixar a água entrar. Você me chamava de louca, gritava para que eu enfrentasse meu medo. Mas eu não podia. Eu não queria. Eu queria que você me pegasse no colo, me abraçasse forte, enterrasse sua face em meus cabelos e dissesse um milhão de vezes que não iria sair dali, que iria me proteger. Mas você não o fez. Os estragos que a chuva causava, eu tinha que consertar, sozinha. Subir no telhado, cimentar o porão, remendar as cortinas. E um dia a chuva veio novamente. Eu estava assustada, com medo, e vi a água entrar por um furinho minúsculo na parede. Eu gritei por você. Você me disse para parar com aquilo. E quando a água chegou em meus tornozelos, parei. Sentei-me no canto da sala, e deixei as águas me banharem. Senti a fúria descontrolada, senti o amargo sabor da derrota e me senti livre. Naquela noite, eu me afoguei, nas águas de minha própria alma. Você não moveu um músculo para me salvar. Um longo, longo tempo depois, você encontrou meu corpo, frio e inerte. Você me trouxe flores, para ver se eu sorria. Pobre alma perdida, nunca te disseram que as flores são para os que ainda vivem?
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Anjos
Há momentos da vida de uma pessoa
Que só lágrimas não são suficiente
Que o coração bate tão fraco
Que sufocamos lentamente
Mas é nesse momentos que os anjos surgem
Altos, pequenos
Bonitos, feios
Peludos, penudos
Anjos de quatro patas que sabem o que estamos a sentir
Anjos que moram longe, mas cuja voz podemos ouvir
Anjos com ombros, que confortam as lágrimas a cair
Anjos com pena, tinta e papel
Que nos transportam para o céu
Distante, de outro mundo
Que fazem o arco-íris com um pincel
E histórias doces como o mel
Com donzelas delicadas como a Rapunzel
E lugares mágicos como a Cachoeira-dos-sete-véus
Que nos levam pra longe da dor
Sem numa esquecer do amor
Anjos estes, tão acostumados a conviver com os humanos
Que mal se lembram que são anjos....
Que só lágrimas não são suficiente
Que o coração bate tão fraco
Que sufocamos lentamente
Mas é nesse momentos que os anjos surgem
Altos, pequenos
Bonitos, feios
Peludos, penudos
Anjos de quatro patas que sabem o que estamos a sentir
Anjos que moram longe, mas cuja voz podemos ouvir
Anjos com ombros, que confortam as lágrimas a cair
Anjos com pena, tinta e papel
Que nos transportam para o céu
Distante, de outro mundo
Que fazem o arco-íris com um pincel
E histórias doces como o mel
Com donzelas delicadas como a Rapunzel
E lugares mágicos como a Cachoeira-dos-sete-véus
Que nos levam pra longe da dor
Sem numa esquecer do amor
Anjos estes, tão acostumados a conviver com os humanos
Que mal se lembram que são anjos....
quarta-feira, 6 de julho de 2011
A menina que sonhava com livros
Era uma vez uma menina forte, determinada. Nada se opunha em seu caminho, e, se porventura algo se opusesse, logo ela vencia. Era uma menina de palavras duras, de coração amargo, mas com um ternura a qual não se acha hoje em dia. Era bruta, sim senhora, mas como um diamante esperando para ser lapidado. Apesar de não demonstrar, sofria pelas sofrimentos da humanidade, porém lhe faltava algo para ser considerada humana. A capacidade de chorar. Desde que nascera, ela nunca derramou uma lágrima sequer; apenas os venenos da alma, o ódio pela corrupção, e o descaso contra os opressores. Ela nunca teve infância; já nasceu assim, meio-menina, meio-adulta, enfrentando a realidade de uma maneira não convencional. Talvez isto explicasse a existência de sua irmã. Quero dizer, não era bem uma irmã. Elas apenas nasceram juntas, mas compartilham experiências e decisões diferentes. A menina forte tinha corpo de quem acaba de sair da puberdade, com longos cabelos misteriosamente brancos, olhos vermelhos e uma feição impenetrável. Já a "caçula", tinha corpo de menina, uma frágil menina de quatro anos de idade, com longas madeixas negras e olhos de prata, de camisola florida arrastando um pandinha de pelúcia. Elas não se falavam, apenas coexistiam. Era o necessário. Eram um "Ying & Yang" moderno. Uma completava a outra, e uma era absolutamente necessária para a existência da outra. Mas essas existências causavam dor. É aí que entra a protagonista da história. Ou será apenas uma personagem secundária? Como os coadjuvantes de novela, que são completamente desconhecidos, mas existem. Essa era a existência dela. Em momentos difíceis, uma das "irmãs", tomava seu lugar, e ela era chamada, ora de bruta, ora de infantil. Diziam para que ela fosse terna, ou que crescesse de uma vez. Mas a verdade é que ela não podia crescer. Quero dizer, fisicamente sim, mas não psicologicamente. Ela tinha medo, muito medo. Do que tinha medo, ninguém sabe, porém sabe-se que ela tinha sonhos, e que estes poderiam mudar o mundo. Porém ela foi calada. Calada pela solidão, pelo medo, pelo desespero, e por fim pelo amor, que, aos poucos a deixou cega, e a abandonou. Mas antes de ser vedada pelo mundo que a cercava, ela escreveu um livro. Um livro secreto, com o poder de transformar a vida de quem o lesse. Este livro foi esquecido entre as prateleira empoeiradas de uma loja que ninguém repara. Há uma dedicatória para alguém especial, e, em sua capa, há um desenho intrigante, de uma mulher de cabelos prateados e olhos vermelhos, segurando uma criança de cabelos negros e olhos de prata, em torno de uma lua brilhante, sobre um lago de sangue.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Selinhooo
ESSE SELINHO RECEBI DO VAMPIRE PLACE
Regrinhas para quem receber o meme:
1- Para você, o que faz seu blog ser encantador?
Os amigos que aqui conquistei, e as mensagens que eles me passaram. ^^
2- Link o blog que te enviou o meme e diga o que acha dele.
Muito fofo, tanto o Vampire quanto o Witching World, as imagens são sensacionais.
3- Repasse este meme para todos os blogs que você considera encantador.
A cela de um anjo caído
The Witching World
Caverna Comulot
Astronauta das Marés
Quatorze e Um
terça-feira, 26 de abril de 2011
Maldito Frio
Hoje aquele maldito frio entrou no meu quarto denovo. Não que eu não goste do frio, eu apenas não gosto daquele frio. Ele não me traz boas lembranças, e eu acho que estou na beira de uma paranoia.
Por que ele voltou?
Por onde andou?
Por que só agora?
Tenho medo de ouvir as respostas...
Por que ele voltou?
Por onde andou?
Por que só agora?
Tenho medo de ouvir as respostas...
sábado, 15 de janeiro de 2011
Tédio...
É isso aí, estou completamente entediada, sem um pingo de sono. Já passou da hora de ir dormir, e eu podia fazer algo muito útil (como jogar Colheita Feliz / Ragnarok / DDO), mas, ao invés disso, resolvi dar uma olhada no meu antigo blog. Foi inconsciente, quando vi, já estava nele. Reli todas as poesias e os comentários que todo mundo deixou aqui. Senti saudades. Meu mundo parece tão estranho agora. Antes eu chorava por que o homem que eu amava tinha me abandonado. Depois eu conheci o Roberto, e só então percebi que nunca tinha amado outro garoto na vida. Apesar de ser uma loba solitária, sempre era cercada por amigos. Chorava muito, mas também emprestava muito meus ombros. Agora me sinto sozinha. Minhas antigas amizades de escola, mudaram completamente. Sou parte do 1/10 dos meus amigos que não tem filhos e/ou usaram drogas e/ou foram mortos. Eu tenho 15 anos cara. E eles tinha uma faixa etária de 2 anos a mais geralmente. Será esse o meu futuro? Tenho poucos amigos, mas guardo minhas confissões mais fundo do que eu já guardava. Tenho um namorado que amo, mas ao mesmo tempo, ele parece distante de mim, como se eu fosse aquelas pessoas que sofrem um acidente, entram em coma e sonham uma vida inteira. E é disso que eu tenho medo. De ter me enterrado tanto em meus sonhos e no meu mundo imaginário, que não consigo mais sair. Tenho medo de estar apenas sonhando com a minha vida atual, e que eu acorde e volte para a vida de chorar por caras que eu amei, amigos que me deixaram ou morreram. Todas as noites eu choro antes de dormir, no banho, com medo do amanhã. Sabe, amar deixa suas dúvidas. Olhe pra mim, eu sou ateia. Porém meu coração não suporta o fato de ficar apenas uma vida humana com o homem que amo. Essa é uma coisa idiota, eu sei, mas eu estou com medo. Medo do conhecido e do desconhecido. Medo do que pode estar lá fora e do que está lá fora. Medo de viver, medo de morrer, medo de seguir em frente, medo de parar, medo de retornar. E acima de tudo, medo de não ter pra quem voltar.
É, o desabafo ficou enorme, porém me aliviou um pouco. Obrigada a quem tiver a paciência de ler isso, e obrigada a todos que me aguentaram até agora.
Um grande Beijo
Morgana P. Costa
É, o desabafo ficou enorme, porém me aliviou um pouco. Obrigada a quem tiver a paciência de ler isso, e obrigada a todos que me aguentaram até agora.
Um grande Beijo
Morgana P. Costa
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Memórias
Ei, você se lembra?
Risos comprimidos, pulsação inquietante
E olhares confortantes...
Ei, você ainda sente?
Aquela sensação
De voar com os pés no chão
De amar sem se preocupar
Se o amanhã vai vir ou não?
Ei, você ainda tem?
Os mesmos planos pro futuro
Os mesmos amigos
E os mesmos hábitos e manias?
Ei, você ainda vê?
Um dia melhor a cada amanhecer
Uma ternura maior em cada beijo roubado
E um suspense maior ao ter um segredo revelado?
Ei, você ainda pensa?
Que nós vamos mudar o mundo
Que o príncipe encantado está ali na esquina
Que a pouco tempo atrás, ainda era uma menina
E que neste mundo, não há carnificina?
Ei, você ainda as tem?
Memórias de um passado que está morto
E de um futuro que está também?
Deixe que elas fujam
Como pássaros libertos da gaiola
Você pode fazer a diferença
Basta apenas tentar...
Risos comprimidos, pulsação inquietante
E olhares confortantes...
Ei, você ainda sente?
Aquela sensação
De voar com os pés no chão
De amar sem se preocupar
Se o amanhã vai vir ou não?
Ei, você ainda tem?
Os mesmos planos pro futuro
Os mesmos amigos
E os mesmos hábitos e manias?
Ei, você ainda vê?
Um dia melhor a cada amanhecer
Uma ternura maior em cada beijo roubado
E um suspense maior ao ter um segredo revelado?
Ei, você ainda pensa?
Que nós vamos mudar o mundo
Que o príncipe encantado está ali na esquina
Que a pouco tempo atrás, ainda era uma menina
E que neste mundo, não há carnificina?
Ei, você ainda as tem?
Memórias de um passado que está morto
E de um futuro que está também?
Deixe que elas fujam
Como pássaros libertos da gaiola
Você pode fazer a diferença
Basta apenas tentar...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Time Out!
Pois é, kkkk, tô precisando dar uma pausinha no meu blog T_T
Já faz um tempinho que não posto, antigamente eram quase 3 por semana, hoje é quase uma por mês. Tô com uma bruta falta de inspiração (geralmente eu me baseio em momentos tristes e de amizade, e com namorado nom dá pra ficar nem um pouco triste e meus amigos tão meio afastados, inclusive os virtuais ¬¬), e tõ com uma dor de garganta sinistra...
Pois bem, só volto qdo tiver uma inspiração ouuuu qdo tudo se normalizar, beijocas, and sorry xD
Já faz um tempinho que não posto, antigamente eram quase 3 por semana, hoje é quase uma por mês. Tô com uma bruta falta de inspiração (geralmente eu me baseio em momentos tristes e de amizade, e com namorado nom dá pra ficar nem um pouco triste e meus amigos tão meio afastados, inclusive os virtuais ¬¬), e tõ com uma dor de garganta sinistra...
Pois bem, só volto qdo tiver uma inspiração ouuuu qdo tudo se normalizar, beijocas, and sorry xD
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Anjos existem?
Ahh, naquela noite
Tudo mudou
As mãos se encontraram
Quando a luz se apagou
Num to que de mágica
As bocas se tocaram
E os corpos assim
Se animaram
Os corações bateram mais rápido
E as mãos percorriam caminhos
Traçados não sei quando
Os beijos tão conhecidos
As mãos tão calorosas
Porém os sentimentos tomaram conta
E os dois logo adormeceram
Mas dentro dos sonhos
Ela murmurava
"Eu vi Anjos"
Tudo mudou
As mãos se encontraram
Quando a luz se apagou
Num to que de mágica
As bocas se tocaram
E os corpos assim
Se animaram
Os corações bateram mais rápido
E as mãos percorriam caminhos
Traçados não sei quando
Os beijos tão conhecidos
As mãos tão calorosas
Porém os sentimentos tomaram conta
E os dois logo adormeceram
Mas dentro dos sonhos
Ela murmurava
"Eu vi Anjos"
Mudanças...
Casa nova, vida nova
Porém tudo é diferente
Com grandes mudanças
Mudamos finalmente
Mas pensar em deixar tudo aqui
Todas as emoções que aqui vivi
Meus amigos e conhecidos
Sentimentos que não passam despercebidos
Me induzem a ficar
mas será que essa mudança
Fará eu achar dentro de mim
Uma nova flor a desabrochar?
Para você, Bárbara, amiga de todas as horas...
Porém tudo é diferente
Com grandes mudanças
Mudamos finalmente
Mas pensar em deixar tudo aqui
Todas as emoções que aqui vivi
Meus amigos e conhecidos
Sentimentos que não passam despercebidos
Me induzem a ficar
mas será que essa mudança
Fará eu achar dentro de mim
Uma nova flor a desabrochar?
Para você, Bárbara, amiga de todas as horas...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Seres pequeninos
Olha a diferença
Que o passar do tempo mostra
Uma noite de amor e carinhos
E logo depois vem a troca
A barriga cresce
E o amor aumenta
E o sentimento pela pequena criança
Acalenta...
By: Morgana
Para: Isabelle, priminha querida que nasce nesta quinta *-*
Que o passar do tempo mostra
Uma noite de amor e carinhos
E logo depois vem a troca
A barriga cresce
E o amor aumenta
E o sentimento pela pequena criança
Acalenta...
By: Morgana
Para: Isabelle, priminha querida que nasce nesta quinta *-*
domingo, 3 de janeiro de 2010
Sonhos de uma noite de verão... pt.2
Ahh, naquela noite
Mal sabia distinguir
Qual parte era de quem
Pois era como se fôssemos um
Naquela chuva sem fim
Seu corpo quente colado em mim
E sua boca na minha
As mãos percorrendo os corpos
E a sede que não se saciava
Nem quando os corpos se afastavam
Mas naquela escuridão
Eram seus olhos
Ternos e sinceros
Que iluminavam aquele momento...
By: Morgana
Mal sabia distinguir
Qual parte era de quem
Pois era como se fôssemos um
Naquela chuva sem fim
Seu corpo quente colado em mim
E sua boca na minha
As mãos percorrendo os corpos
E a sede que não se saciava
Nem quando os corpos se afastavam
Mas naquela escuridão
Eram seus olhos
Ternos e sinceros
Que iluminavam aquele momento...
By: Morgana
sábado, 26 de dezembro de 2009
Uma noite de Natal

"Os flocos de neve caíam do outro lado da janela. Do seu quarto na ala psiquiátrica, uma mulher observava a imensidão branca. Lágrimas escorriam de seu rosto. A sineta tocou, anunciando a hora do jantar. Ela se dirigiu a porta, e pousou a mão na maçaneta, pensativa. Lembrou-se daquele dia de manhã. O salão estava abarrotado de gente. Todos os pacientes estavam com seus familiares, e alguns riam ao ver alguns deles imitando animais, ou se comportando feito crianças mimadas. Ela tinha permanecido no quarto. Todo natal era a mesma coisa. Após 17 anos naquele mesmo hospital, havia se acostumado com a rotina. Não recebia visitas, nenhuma. Nenhuma desde aquele dia. Um maldito dia de Natal. Era 25 de Dezembro de 1992. Ela era casada, com um homem maravilhoso, e estava grávida de seu primeiro filho. Seu marido tinha saído com a mãe dela para comprar o peru de Natal que tinha sido esquecido. Ela estava pendurando efeites na árvore quando sentiu um aperto no coração. Desceu da escada e sentou-se no chão. A dor passara, mas a sensação continuava. Passou alguns minutos e ela notou que estavam demorando. O telefone da sala tocou. Ela se levantou e foi atender. O homem falava rápido, e perguntou se ela conhecia algumas pessoas. Era de um hospital, e as pessoas, eram seu marido e sua mãe. Vestiu seu casaco e chamou um táxi. O trânsito estava horrível, e as ruas cobertas de neve não ajudavam. O hospital cheirava a remédios. Ela foi a recepção e perguntou pelo nome deles. E recebeu a notícia. Seu marido e sua mãe tinham sofrido um acidente, e tinham morrido instantaneamente. Ao receber a noticia, sentiu-se tonta e caiu no chão. Sua roupa se manchou de sangue. Havia perdido o bebê. Ela perdeu tudo, toda a família que lhe restava, em uma noite de Natal. E ela odiava o Natal por isso. Voltou a realidade. Abriu a porta e adentrou pelos corredores apinhados de pacientes. O hospital tinha proposto que cada paciente escrevesse uma carta ao Papai Noel, pedindo o que queria. Depois, os funcionários iam ler as cartas, e repassá-las às familias, ou tentar realizar por conta própria o pedido. Tinha uma caixa cheia de cartas. E numa dessas cartas, estava o pedido dela. Naquela noite, o Papai Noel iria entregar os presentes que haviam sido pedidos. Uns ganharam um boneco de pelúcia, outro, um chapéu de Napoleão. A medida que iam pegando seus presentes, os pacientes voltavam aos seus quartos. A carta dela foi a última. O senhor gordo vestido de vermelho olhou pra ela. Ele tirou de um outro saco, um caixa com furos. Ela abriu a caixa e tirou um pequeno cachorrinho de lá de dentro. Era bonito, de pêlo macio e reluzente, e a acariciava com dezenas de lambidas. Os funcionários não podiam deixar um animal permanecer no hospital, porém o senhor levantou a mão, e disse: Deixe ele ficar, ao menos esta noite. Eles relutaram muito, mas no fim concordaram. Ela o pegou carinhosamente, agradeceu ao senhor e este lhe deu a carta dela. Ela sorriu e dirigiu-se ao seu quarto. A noite passou. Na hora do café da manhã, os funcionários notaram a falta dela. Foram até o seu quarto, e a encontraram-na enroscada na cama, com o cachorrinho no seu colo, e ele com a carta na boca. Ambos estavam mortos. Um dos funcionários pegou a carta, e a leu. Seus olho encheram de lágrimas, e ele passou a enfermeira. Ela leu em voz alta.
Eu não tenho casa, eu não tenho família. Tenho medo de morrer e não ter quem se lembre de mim. Tenho medo de viver e não ter pra quem voltar. Sinto falta da minha família, queria estar perto dela. Eu queria um anjo para me guiar ao caminho certo.
Eles enxugaram as lágrimas, e enrolaram os corpos num lençol, juntos. E assim, ela passou a amar o Natal, pois havia se encontrado com sua familia..."
Autora: Morgana P. Costa
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Eu quis...

Eu quis voltar pro passado
Consertar o que eu fiz errado
E não te deixar partir...
Eu quis voltar pra minha infância
Pras noites tranquilas
E sonhos inocentes
Eu quis volta pro meu mundo encantado
Pro meu recanto de magia
Onde todas as noites
As pessoas se reúnem
Em volta de uma grande fogueira
E dançam, a luz do luar
Não há cor, não há religião, não há preconceitos
Há apenas a menina,
Que se mantém nesse mundo de magia
E ao mesmo tempo no mundo dos humanos
Aonde os sonhos dão lugar a realidade...
By: Morgana
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Proibido

Estou lutando
Contra tudo que me consome
Mas apesar disso
As lágrimas de meu rosto escorrem
Por ter de dar um fim no inacabado
De esquecer completamente o ser amado
A distância pesa
E me faz sufocar
Toda vez que falo contigo
Preciso te tocar
Mas não posso, não consigo
Não devo, é proibido
É proibido tirar algo
Que um dia tanto amei
E que ainda faz meu coração pulsar...
By: Morgana
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Recordações

Quanto tempo duram as lembranças
De algo que vivemos
Ou de que simplismente sonhamos?
Uma foto talvez não dure mais
Do que tufos de cabelo
Ou o vidrinho de perfume favorito
Mas talvez tragam emoções
Que aflorem um sentimento esquisito
Um sentimento que pode ser relembrado
Até mesmo quando os cabelos embranquecerem
E os músculos não sejam mais os mesmos
Mas sempre irão relembrar
Aquela noite cheia de desejos
Mas às vezes lembranças não são queridas
E seria melhor se fossem esquecidas
Lembranças de alguém que nos fez sofrer
Ou de alguém que a muito foi perecer
Mas as que passamos
Junto de pessoas que gostamos
Talvez nos abram um novo caminho
Ou apenas nos façam ter um recaída
Da qual não temos saída
By: Morgana
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Medo

Eu tenho tanto medo
E isto me corrói
Pois o que não me fortalece
Me destrói
Eu tenho tanto medo
Que às vezes deixo de dar importância
As pequenas coisas da vida
E é por não prestar atenção
Que acabo assim, perdida
Mas eu tenho medo
E muito
Medo do que conheço
E medo do desconhecido
Medo do passado
Medo do futuro
Eu tenho medo de morrer
E não ter quem se lembre de mim
Em história ou cantigas de ninar
Eu tenho medo de viver
E não ter pra quem voltar
By: Morgana
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Identificação

Sempre acreditei que para o amor e o ódio eram opostos
Porém descobri que são irmãos
Quando você ama alguém, ama as qualidades dele
Quando você odeia alguém, odeia algo nele que faz parte de você
O que não faz parte de nós, não nos incomoda
E assim passamos a vida
Julgando as pessoas, sem nem conhecer
Apenas por sua raça, crença ou classe social
Que durante toda nossa vida
Catalogamos os outros
Em várias prateleiras
Privilegiamos os parecidos e excluímos os opostos
Não me conformo diante de tal situação
Sendo rotulada, catalogada
E ganhando um número de identificação
By: Morgana
domingo, 15 de novembro de 2009
Dia ruim?

Agitação, melancolia
Eita danado de dia
Chego de mansinho e já me encontro com você
Sentados no mesmo banco, brincando
Zoando, nos divertindo
Daí veio você
Com sua mania de morder
Mas eu não imaginava a minha reação
Quando lábios quentes tocaram em meu pescoço
A brincadeira ultrapassou a amizade
E cravei as mãos em suas costas
Por um segundo, pensei no que poderia transcorrer
Se seria uma noite romântica cheia de juras de amor
Ou uma noite ardente com nossos corpos pegando fogo
Mas ao que eles lentamente se afastaram
Consegui voltar a realidade
Afinal, éramos apenas amigos...
By: Morgana
For: Meu lobinho, xD
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Paixões Esquecidas?

Já me apaixonei por tanta gente nesse mundo
Que é até díficil diferenciar
Quem amei e quem gostei
E quem eu odiei
Já me apaixonei por pessoas desconhecidas
Já me apaixonei por gente que conhecia
E que sabia que não ia dar certo
Já me apaixonei por pessoas
Que desenharam meu rosto num pedaço de papel
Sem ao menos me conhecer
Mas que em suas linhas e traços
Me definiam melhor que ninguém
Já me apaixonei por caras que moravam longe
Por ter medo que alguém olhasse em meus olhos
E vissem o interior de minha alma
Já me apaixonei pelos que moravam perto
E isso só me trouxe agonia
Por não poder revelar o que eu sentia
Já me apaixonei por um colega de escola
Que me odiava e que nunca me deu bola
Já me apaixonei pelo meu melhor amigo
E aguentei calada quando ele me contou que gostava de alguém
Já dei os melhores ombros pra alguém chorar
Porém sempre reprimi minhas lágrimas
Mas a regra que nunca entendi
"Quando você perde alguma coisa, você ganha outra, não é?"
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